Há tempos em que a escola era mais do que um lugar de aprendizado, era um universo de experiências inesquecíveis. O uniforme era comprado com antecedência, e se chegássemos atrasados, a entrada era barrada. Claro, às vezes o guarda dava aquela aliviada.

Não existiam telefones celulares, então o famoso orelhão era nossa ponte com o mundo. As pesquisas eram feitas na biblioteca, e o caminho até lá era uma aventura, cheio de histórias e risadas entre amigos. Os trabalhos eram escritos à mão, em folha de papel almaço, com capas feitas no sulfite, sempre com muito capricho. Encapar livros era uma missão e valia tudo: sacola de arroz, papel de presente, o importante era preservar nosso material.

O dever de casa era sagrado, e a aula de Educação Física era aguardada com ansiedade. Na escola, todos tinham apelidos: o Gordo, o Magrelo, o Zoreia, o Quatrozóio, o Cabeção, a Olívia Palito, o Negão... E nada disso era ofensa! Todo mundo brincava, algumas discussões aconteciam, mas logo a amizade prevalecia. Bullying? Ninguém falava disso, era apenas zoeira e, se houvesse um valentão, sempre existia quem nos defendesse.

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Ah, a merenda! Quem esquece o arroz com carne moída, a macarronada, o arroz laranjado com frango, as sopas, a salada de frutas, o macarrão com carne moída? E os lanches com Nescau, Nesquik e Sucrilhos na caneca azul? A fila era gigantesca, mas a gente repetia mesmo assim!

Nossa rede social da época eram os cadernos de perguntas que passavam de mão em mão, nos ajudando a conhecer melhor nossos amigos. Íamos para a escola a pé e, na saída, a melhor parte era quando tinha aniversário: ovo, farinha e o que mais estivesse ao alcance.

No fim do ano, não víamos a hora de receber as camisetas assinadas pelos colegas, uma recordação para a vida toda. E os campeonatos no ginásio? Caminhávamos até lá entre risadas e brincadeiras.

A frase "Peraí, mãe!" não era para pedir mais tempo no celular ou no computador, mas sim para aproveitar mais a rua. Colecionávamos figurinhas, selos, papéis de carta e até cartões de orelhão. Comíamos na rua, bebíamos água da torneira do vizinho e economizávamos as moedinhas do troco para comprar um geladinho na tia da esquina. Andávamos descalços, tomávamos sol sem protetor e vivíamos intensamente.

Não importava a cor da pele, a classe social, gênero ou origem. Todos brincavam juntos, e como era bom! Filmes só na TV, aguardando ansiosamente a Sessão da Tarde. Educação vinha de casa, e ai de nós se um responsável precisasse ir à escola por mau comportamento. O medo do temido "Livro Preto" era real, e respeito aos mais velhos era regra. Nada de pegar algo que não fosse nosso ou se intrometer em conversa de adulto.

E então, quando foi que tudo mudou? Como os valores se inverteram e se perderam?

Se você viveu essa época, sabe o quanto era maravilhoso!

Poste uma foto da sua escola querida e compartilhe essa saudade! ❤️

FONTE/CRÉDITOS: Edição Weslen Bianco